The Velveteen Rabbit ou Como os brinquedos tornam-se reais é uma história infantil escrita por Margery Williams e ilustrada por William Nicholson. Ela fala de um coelho de pelúcia e sua busca para se tornar real, através do amor do seu dono. O livro foi publicado pela primeira vez em 1922 e foi reimpresso muitas vezes desde então. The Velveteen Rabbit foi o primeiro livro infantil de Margery Williams e é o mais popular dos que ela escreveu.

Resumo
Um garoto recebe um coelho de pelúcia (velveteen rabbit) de Natal. O coelho de pelúcia é desdenhado por outros brinquedos mais caros e pelos brinquedos mecânicos, que se imaginam de verdade. Um dia, ao conversar com o cavalo de pele (Skin Horse), o coelho aprende que, só é possível tornar-se real, se o seu dono amá-lo verdadeiramente.
Quando o menino perde o cachorro de porcelana, o coelho de pelúcia é rapidamente dado a ele pela babá como substituto do cachorro. O coelho passa a ser a constante companhia do menino. O coelho então começa a ficar surrado, mas o menino não se importa e o ama cada vez mais. Numa floresta próxima à casa do menino, o coelho de pelúcia encontra coelhos de verdade e aprende o quanto é diferente quando os coelhos reais dizem que ele não é capaz de pular com as patas traseiras.
Os tempos do coelho com o menino chegam ao fim quando este cai doente de escarlatina. O menino fica doente por um longo período e, depois da sua recuperação, vai à praia por recomendação médica. O menino deseja levar o coelho com ele, mas o médico o proíbe de brincar com o bicho de pelúcia e recomenda que o coelho seja queimado junto com os livros velhos para desinfetar o ambiente da criança. Enquanto aguarda entre os livros, onde seria queimado, o coelho sentiu-se solitário e chorou uma lágrima de verdade. A lágrima fez aparecer uma fada, que disse ao coelho que ele era real para o menino e o levou para a floresta, onde ele percebeu que havia se tornado um coelho de verdade. Ali, ele correu e se juntou aos outros coelhos reais.
Na primavera seguinte, o menino avistou um coelho pulando e pensou como ele se parecia com o seu velho coelho de pelúcia. O coelho era o mesmo que havia sido dele e o olhou de volta, reconhecendo o menino que o ajudou a tornar-se real.
(Fonte: Wikipédia-inglês, com algumas alterações)
Amor verdadeiro e tornar-se REAL
O diálogo abaixo, entre o coelho e o cavalo, lembra bem uma das qualidades do objeto transicional descritas por Winnicott e citada no último post: “O objeto é afetuosamente acariciado, bem como excitadamente amado e mutilado“.
“O que é REAL?” perguntou o Coelho um dia. “Significa ter coisas que zumbem dentro de você e uma manivela saliente?”
“Real não é como você é fabricado”, disse o Cavalo de Pele. “É algo que acontece com você.”
“Quando uma criança o ama por um longo, longo tempo, não apenas para brincar com você, mas REALMENTE ama você, então você se torna Real.”
“Isso machuca?”
“Hummmmmm… às vezes”, ele era sempre sincero. “Quando você é Real você não se preocupa em ser machucado.”
“Acontece tudo de repente, como quando alguém lhe dá corda ou aos poucos?”
“Não acontece tudo de repente… Você se torna. Demora um longo tempo. Por isso, não acontece frequentemente para as pessoas que se quebram facilmente, ou que têm bordas afiadas, ou que têm que ser guardadas com cuidado.”
“Geralmente, quando você se torna Real, a maior parte de seu cabelo foi amorosamente arrancada, e seus olhos caem e você se torna frouxo nas juntas e muito surrado.”
“Mas estas coisas não importam no entanto, porque uma vez que você é Real, você não pode ser feio, exceto para pessoas que não compreendem”.
(Tradução: IDPH – http://www.idph.com.br/conteudos/idiomas/velveteenrabbit.shtml)
Para concluir…
D. Winnicott apostou que é o impulso destrutivo que cria a qualidade de externalidade. A história acima é a ilustração precisa do que Winnicott quis dizer com o uso do objeto pelo sujeito, como resume o parágrafo a seguir, extraído do livro “O Brincar e a Realidade”:
O objeto está sempre sendo destruído. Essa destruição torna-se o pano de fundo inconsciente para o amor a um objeto real, isto é, um objeto situado fora da área do controle onipotente do sujeito.
O pensamento em questão não é dos mais fáceis, representa uma posição desafiadora do psicanalista em relação ao modus operandi dos seus colegas de época. Mas, para quem quiser ler um pouco mais sobre o que mencionei nesta conclusão, deixo o link para um texto da psicanalista Elsa Oliveira Dias: “Winnicott: agressividade e teoria do amadurecimento”.