Quem é o especialista em Psicologia Clínica?
11 julho, 2007 | por Vladimir Melo |
Há alguns anos o Conselho Federal de Psicologia regulamentou a concessão do título de especialista através de algumas modalidades, entre elas o concurso de provas e títulos. Uma das especialidades é Psicologia Clínica. Diante de tantas abordagens, não posso deixar de perguntar: o que espera o CFP de uma pessoa que se submete à prova dessa especialidade?
Em primeiro lugar, não existe um curso de formação que envolva todas as abordagens - nem acho que existiria tamanha pretensão. Além disso, observando as questões dessas provas, não há quem esteja tão atualizado nas mais variadas abordagens que possa responder as perguntas baseadas em autores e teorias tão recentes. Há ainda um outro detalhe: quanto mais o psicólogo clínico atua em sua área, maior sua experiência e condições para responder às questões específicas do seu setting. Porém, a dedicação a sua especialidade tem um preço: a distância de outras abordagens e, conseqüentemente, a incapacidade de ter um bom desempenho em uma prova ampla e, ao mesmo tempo, tão exigente como a proposta pelo CFP.
Portanto, se a prova reserva 30% ao conteúdo de Psicologia Comportamental, só posso admitir que um psicólogo com essa formação deva obter, na melhor das hipóteses, 30% dos pontos da prova, marca que está longe de ser a necessária para sua aprovação. Mesmo se os títulos do candidato compensarem a pontuação baixa e permitirem a aprovação no concurso, não se trata disso, trata-se de saber o que o CFP espera de um psicólogo especialista na área clínica quando decide aplicar uma prova como essa.
Só posso concluir que, para o CFP, o psicólogo clínico deve saber muito de tudo, muito do que não viu na faculdade nem em seu curso de formação.
Por sinal, este ano não haverá o concurso e, em 2006, foi realizado apenas em São Paulo, em razão de ter sediado o II Congresso Brasileiro de Psicologia.
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