Essa retomada dos desafios da clínica psicológica têm o objetivo de discutir os modismos na psicologia e os cuidados que devemos ter para discernir essas influências dos sintomas apresentados pelos clientes na elaboração do diagnóstico e no decorrer do tratamento psicoterápico.
Quando me formei, só se falava em Síndrome do Pânico. Era um quadro que beirava uma epidemia, de tão freqüentemente relatado nos consultórios e discutido na mídia. O diagnóstico casado “Depressão com Síndrome do Pânico” também era comum e assustava a todos.
Hoje, não sei se por atender mais crianças e adolescentes, vejo que os diagnósticos de hiperatividade, distúrbio alimentar e compulsão têm sido a tônica das discussões.
Já recebi pais angustiados com a possibilidade de sua criança ser hiperativa aos dois anos, algo impensável. Normalmente, a orientação de pais nessas ocasiões visa tranqüilizá-los, quebrar os rótulos porventura estampados na sua criança, avaliar o contexto de vida da criança e da família e propor alternativas. O fortalecimento do papel dos pais é algo muito importante que o profissional da saúde mental deve favorecer.
Assim, sei que o acesso à internet, a discussão ampla dos aspectos psicológicos do desenvolvimento humano, a comunicação facilitada e o Google ajudam muito a nossa vida, porém, o psicólogo deve estar atento às influências trazidas pelos clientes e às queixas importadas dos diagnósticos que eles mesmos elaboram, para que não cometa falhas e comprometa a sua intervenção clínica.