Desafios da clínica psicológica – Parte II

Essa retomada dos desafios da clínica psicológica têm o objetivo de discutir os modismos na psicologia e os cuidados que devemos ter para discernir essas influências dos sintomas apresentados pelos clientes na elaboração do diagnóstico e no decorrer do tratamento psicoterápico.

Quando me formei, só se falava em Síndrome do Pânico. Era um quadro que beirava uma epidemia, de tão freqüentemente relatado nos consultórios e discutido na mídia. O diagnóstico casado “Depressão com Síndrome do Pânico” também era comum e assustava a todos.

Hoje, não sei se por atender mais crianças e adolescentes, vejo que os diagnósticos de hiperatividade, distúrbio alimentar e compulsão têm sido a tônica das discussões.

Já recebi pais angustiados com a possibilidade de sua criança ser hiperativa aos dois anos, algo impensável. Normalmente, a orientação de pais nessas ocasiões visa tranqüilizá-los, quebrar os rótulos porventura estampados na sua criança, avaliar o contexto de vida da criança e da família e propor alternativas. O fortalecimento do papel dos pais é algo muito importante que o profissional da saúde mental deve favorecer.

Assim, sei que o acesso à internet, a discussão ampla dos aspectos psicológicos do desenvolvimento humano, a comunicação facilitada e o Google ajudam muito a nossa vida, porém, o psicólogo deve estar atento às influências trazidas pelos clientes e às queixas importadas dos diagnósticos que eles mesmos elaboram, para que não cometa falhas e comprometa a sua intervenção clínica.

Consulta Pública nº 27, da ANS – Não deixe de participar, contribua!

Há algumas semanas, o Conselho Federal de Psicologia divulgou a Consulta Pública nº 27, da ANS (Agência Nacional de Saúde), mas acredito que nem todos os profissionais receberam o material ou nem todos tiveram a curiosidade de acessar a página da ANS e tomar conhecimento do que se trata.
Como considero a questão muito importante, pois atualiza o Rol de Procedimentos que constitui a referência básica para cobertura assistencial nos planos privados de assistência à saúde, contratados a partir de 1º de janeiro de 1999, tomei a liberdade de escrever a respeito.
Segundo determinação da ANS, na área de psicologia, o único serviço oferecido obrigatoriamente pelos planos de saúde seria a psicoterapia, limitada a 12 sessões/ano.
Embora eu não trabalhe com nenhum convênio para atendimento de planos de saúde (Golden Cross, Bradesco Saúde, Amil, etc), considero essa limitação abusiva, pois é uma quantidade de sessões insuficiente para a maioria das psicoterapias. Dessa forma, tanto como usuária de plano de saúde, quanto como profissional da área clínica, me senti impelida a elaborar uma proposta, que encaminhei por e-mail alguns dias depois.
Também enviei uma proposta sobre a autorização dos tratamentos por profissionais não-médicos (psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais…), que muitas vezes têm seu pedido recusado por não ter CRM. (Ato médico???)
Caso alguém se interesse em elaborar alguma proposta, basta acessar esta página, tomar conhecimento dos materiais e propor. O prazo para envio de propostas foi estendido até 06/09/2007.

Informações úteis sobre TDAH

Seu filho é hiperativo, procure um tratamento!”

Quantos pais e mães chegam ao consultório com essa angustiante frase na cabeça! O que quer dizer isso? “Será que meu filho é doente?”, muitos se perguntam.

Na minha prática clínica, pude confirmar alguns desses diagnósticos, mas várias das crianças que recebi não apresentavam os sintomas compatíveis com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH, ou, em alguns casos, os sintomas eram compatíveis, mas havia dificuldades por trás dos mesmos, que descartavam o diagnóstico.

É importante ressaltar que a literatura apresenta uma idade mínima de seis anos para diagnóstico e que a avaliação, mesmo em crianças com mais idade, deve ser cautelosa, sobretudo se for feito uso de medicação.

Como ainda não existe uma estratégia única para diagnóstico, que vem sendo realizado em equipes multiprofissionais, observamos uma tendência à utilização de alguns testes neurológicos e instrumentos psicológicos, acompanhados de entrevistas clínicas, que são essenciais.

Entre as indicações apresentadas em palestras que já participei, discussão com colegas que também atendem crianças com TDAH e do que já li a respeito, tenho preferência pelos seguintes:

“Escala de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – Versão para professores”, de Edyleine Bellini Peroni Benczik, como um instrumento psicológico que nos oferece dados clínicos muito significativos e nos permite avaliar a efetividade do tratamento;

Benczik, Edyleine Bellini Peroni (2002). Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – Atualização diagnóstica e terapêutica. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo. É bem objetivo e fornece direcionamento para o atendimento das demandas da criança, dos pais e da escola, um excelente livro.

Rohde, Luis Augusto; Knapp, Paulo; Lyszkowski, Liseane; Johannpeter, Juliana (2002 – reimpressão 2007). Terapia cognitivo-comportamental no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – Manual do Terapeuta. Porto Alegre: Artmed. – particularmente interessante para quem atende crianças e adolescentes em grupos.

Sites: http://www.tdah.org.br/ (site com boas indicações de leitura) e http://www.universotdah.com.br/ .

Reforma Ortográfica: será que agora é pra valer?

A Folha de São Paulo de hoje, 20 de agosto de 2007, trouxe um assunto recentemente tratado pelo Leonardo Fontenelle e que tem impacto na vida de todos os brasileiros, a reforma ortográfica. Não acredito que haja grande oposição contra a (boa) intenção de unificar a ortografia da língua portuguesa. A oposição surge com a prática desta nova “língua”, aí sim já há muita polêmica.

Na matéria, há aqueles opositores obstinados, Ruy Castro diz que já passou da idade de reaprender a escrever e Pasquale Cipro Neto assina uma pequena coluna intitulada “O custo supera o benefício”. Na realidade, como bem disse o Leonardo, a reforma deveria ser realidade e foi ratificada pelo Brasil em 2004, mas ainda encontra resistência por parte de alguns países, principalmente Portugal. De acordo com Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP (Comissão de Países de Língua Portuguesa):

“O problema é Portugal, que está hesitante. Do jeito que está, o Brasil fica um pouco sozinho nessa história. A ortografia se torna mais simples, mas não cumpre o objetivo inicial de padronizar a língua”.

O Ministério da Educação prepara o material didático para 2009, no qual as crianças já aprenderão o português “unificado”. Vale lembrar que houve outra em 1971. A reforma em questão eliminará o trema, acento diferencial, hífen, acento circunflexo e acento agudo em muitos casos. O nome brasileiro por trás do Acordo é bem conhecido, Antônio Houaiss, membro da Academia Brasileira de Letras.

Para quem usa muito o corretor ortográfico do Word ou do OpenOffice, prepare-se para a transição. Não se sabe o tempo necessário para essa atualização, até porque não se sabe com que velocidade as editoras e a imprensa escrita vão aderir à reforma. A editora Sextante, de sucessos como O Código da Vinci, anunciou que só vai “reformar” suas publicações à medida que forem reimpressas.

Ficarei na expectativa que o benefício supere o custo e que as traduções, de um modo geral, tenham a ganhar. Talvez as editoras brasileiras alcancem todos os leitores da língua portuguesa, assim como as editoras estrangeiras de língua portuguesa se interessem pelo — numeroso — mercado daqui. Mas essa é outra questão e até esse ponto existe um longo caminho.

Novas Famílias

O canal de televisão GNT vai exibir a partir do dia 06 de setembro uma série chamada “Novas Famílias”, que me chamou a atenção pela sinopse:

Como é ser família hoje em dia? A série Novas Famílias pretende responder esta pergunta apresentando os enfrentamentos que os novos arranjos familiares tem que dar conta para que a nova família se reinvente e continue a ser um lugar e um espaço importante na vida de todos. (Fonte: Site da GNT)

Tudo indica que deve ser interessante. É bem verdade que os horários não ajudam, apesar de serem muitos, mas vou fazer um esforço para acompanhar cada episódio. Recomendo a experiência aos colegas psicólogos e aos demais interessados. Infelizmente, o pai de todos os curiosos, o Google, não retornou mais informações significativas sobre o programa até o momento.

Quanto aos horários, são eles: qui (06/09) 23h00, sab (08/09) 13h00, dom (09/09) 14h00, qui (13/09) 11h00.