Por um Rol de Procedimentos Psicológicos (e Atividades Complementares)

10 agosto, 2007 | por Vladimir Melo |

tempos-modernos01.jpgDurante o Congresso Regional de Psicologia, sugeri com bastante energia a idéia de que deveríamos criar uma nova lista de procedimentos psicológicos que também contemplasse técnicas e instrumentos, à parte dos serviços que descrevem genericamente a atividade clínica.

Se a ANS trata o médico entendendo que ele, além da sua consulta, realiza uma série de exames, deve saber que o psicólogo também tem seus instrumentos e técnicas para realizar o diagnóstico. Evidentemente, esses instrumentos tem um custo material, bem como o custo de aplicação e correção. E não tem por que reclamar da autenticidade deles, uma vez que o próprio Conselho Federal de Psicologia criou uma sistema (SATEPSI) para avaliar e endossar a segurança de cada teste.

Eu seria a última pessoa a desconsiderar a importância da psicoterapia pela fala e até entendo que ela deva ter uma valor acima de qualquer outro procedimento psicológico, mas enfatizo que também tenho a convicção que cada instrumento aplicado deva ser cobrado à parte, como ocorre em várias outras áreas da saúde.

Agora, se já sabemos que existem vários planos de saúde que adotam uma lista vergonhosa de (apenas!) consulta e sessão, desconhecendo até as modalidades de atendimento (individual, conjugal, familiar e grupal), estamos longe do ideal. Mais longe, inclusive, porque os mesmos convênios e a própria ANS consideram 12 (doze) sessões por ano, ou seja, média de uma sessão por mês, suficiente para atender o paciente. Seja qual for o tratamento, uma sessão por mês ou doze por ano, de 50 (cinqüenta) minutos cada, não resolvem absolutamente nada.

Só me resta perguntar: qual o impacto dos serviços psicológicos em um plano de saúde? Já escutamos de administradores de plano de saúde que, muitas vezes, o alto custo de consultas e exames médicos seria evitado caso a pessoa se submetesse à psicoterapia. Em outras palavras, a psicologia tem um grande valor preventivo/curativo e, asseguro, um baixo impacto no orçamento de um plano de saúde.

Enquanto não houver uma “classificação hierarquizada de procedimentos psicológicos”, pois é assim que os médicos definiram o rol deles, não haverá estímulo para investir em instrumentos e técnicas.

A boa notícia é que esse assunto ganhou um bom espaço no Congresso Regional e seguia adiante no Congresso Nacional de Psicologia, o resultado pode ser visto aqui. Nós já preparamos nossa sugestão para enviar à ANS, acredito que a Christiane em breve escreva algo mais a respeito.

  1. 4 Respostas to “Por um Rol de Procedimentos Psicológicos (e Atividades Complementares)”

  2. Por Leonardo F. Fontenelle em 21 ago, 2007 | Responder

    Infelizmente, é muito mais comum que se remunerem as tecnologias “duras”, as que dependem de aparelho. Na minha realidade como médico de família, vejo que é raro algum sistema de informação ou remuneração diferenciar as consultas médicas pela quantidade de problemas abordados ou tipo de abordagem. Em outras palavras: não importa se o paciente foi atendido apenas por um resfriado, ou se foi aconselhado em relação a vários hábitos de vida e acompanhado da hipertensão e da dor nas costas; de qualquer forma é simplesmente uma “consulta”. Isso estimula os médicos a praticar uma Medicina curativa, imediatista, e os pacientes (ou clientes, ou usuários, ou pessoas, ou…) nem ficam sabendo que poderiam ser melhor atendidos.

  3. Por Vladimir Melo em 1 set, 2007 | Responder

    Concordo Leonardo e é por isso que sou militante da consulta como procedimento mais importante da área de saúde. Uma consulta bem feita dispensa um bom número de exames, é essencial para muitos diagnósticos e fortalece a relação profissional-paciente. Acho que deve haver a remuneração pelos procedimentos, mas hoje há uma supervalorização deles em relação à consulta. Isso na área médica, na nossa nem existe remuneração por procedimentos.

  4. Por Paulo Canto em 20 set, 2007 | Responder

    Nobre militancia Vladimir, e percebo em praxis a realidade da diferença nao notada pelos convênios quanto ao onus que os atendimentos médicos causam as seguradoras. Atendo em um clinica e em 12 horas de trabalho atendo em média 10 pacientes, sendo cada sessao 50 minutos. Paralelo a isso, um médico atende em 2 horas, cerca de 17 pessoas. Será que sai mais caro para uma seguradora,um atendimento psicologico, que muita das vezes sucumbi a necessidade de uma procura insarciavel pela “cura” em tantas especialidades médicas? É nítido a cultura de monopólio de uma classe profissional. Vejo entristecido que em ultima instancia o importante é o paciente-cliente.

  5. Por Vladimir Melo em 20 set, 2007 | Responder

    Pois é, Paulo, ouvi que a implementação do TISS poderia tornar transparente o levantamento dos custos de um plano de saúde, já que a ANS receberá as informações de cada procedimento on-line. Entretanto, todos nós sabemos que o tratamento seriado tem um impacto exclusivamente positivo, sobretudo no aspecto financeiro, para os planos. Agora, estamos aguardando que a ANS e os Conselhos de Psicologia pressionem os planos de saúde para incorporar as modalidades de atendimento para fazer justiça às especialidades da Psicologia.

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