Informações úteis sobre TDAH

30 agosto, 2007 | por Christiane Kanzler |

Seu filho é hiperativo, procure um tratamento!”

Quantos pais e mães chegam ao consultório com essa angustiante frase na cabeça! O que quer dizer isso? “Será que meu filho é doente?”, muitos se perguntam.

Na minha prática clínica, pude confirmar alguns desses diagnósticos, mas várias das crianças que recebi não apresentavam os sintomas compatíveis com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH, ou, em alguns casos, os sintomas eram compatíveis, mas havia dificuldades por trás dos mesmos, que descartavam o diagnóstico.

É importante ressaltar que a literatura apresenta uma idade mínima de seis anos para diagnóstico e que a avaliação, mesmo em crianças com mais idade, deve ser cautelosa, sobretudo se for feito uso de medicação.

Como ainda não existe uma estratégia única para diagnóstico, que vem sendo realizado em equipes multiprofissionais, observamos uma tendência à utilização de alguns testes neurológicos e instrumentos psicológicos, acompanhados de entrevistas clínicas, que são essenciais.

Entre as indicações apresentadas em palestras que já participei, discussão com colegas que também atendem crianças com TDAH e do que já li a respeito, tenho preferência pelos seguintes:

“Escala de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – Versão para professores”, de Edyleine Bellini Peroni Benczik, como um instrumento psicológico que nos oferece dados clínicos muito significativos e nos permite avaliar a efetividade do tratamento;

Benczik, Edyleine Bellini Peroni (2002). Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – Atualização diagnóstica e terapêutica. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo. É bem objetivo e fornece direcionamento para o atendimento das demandas da criança, dos pais e da escola, um excelente livro.

Rohde, Luis Augusto; Knapp, Paulo; Lyszkowski, Liseane; Johannpeter, Juliana (2002 – reimpressão 2007). Terapia cognitivo-comportamental no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – Manual do Terapeuta. Porto Alegre: Artmed. - particularmente interessante para quem atende crianças e adolescentes em grupos.

Sites: http://www.tdah.org.br/ (site com boas indicações de leitura) e http://www.universotdah.com.br/ .

  1. 9 Respostas to “Informações úteis sobre TDAH”

  2. Por Leonardo F. Fontenelle em 31 ago, 2007 | Responder

    … mas várias das crianças que recebi não apresentavam os sintomas…

    Reforçando: a maioria das crianças rotuladas de “hiperativas” não têm o transtorno. O TDAH é uma “doença da moda”, virou costume dizer que uma criança é “hiperativa” só porque ela é desobediente.

    Caro Vladimir, gostaria de sua opinião sobre uma “triagem” de que já ouvi falar: se uma criança consegue jogar videogame, não deve ter TDAH, porque para jogar videogame tem que ter concentração. Confere?

  3. Por Vladimir Melo em 31 ago, 2007 | Responder

    Caro Leonardo,

    Essa questão suscita uma certa controvérsia, mas posso dizer que já existe um bom número de psicólogos e psiquiatras que falam do hiperfoco. Vou reproduzir um pequeno trecho do livro da Edyleine Bellini Peroni Benczik chamado “Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade - Atualização Diagnóstica e Terapêutica”, p. 30:
    “(…) Os sinais do transtorno podem ser mínimos ou estarem ausentes quando o indivíduo se encontra sob um controle rígido, em um contexto novo, envolvido em atividades muito interessantes, ou ainda em uma situação a dois (no consultório ou com a professora particular, por exemplo).”
    Por esse ponto de vista, seria possível a criança com TDAH ter um bom desempenho no vídeo-game. Mas ressalto que o transtorno não é uma unanimidade de diagnóstico. Muitos preferem desconsiderar o TDAH.

  4. Por leonardof em 31 ago, 2007 | Responder

    O “diagnóstico” em Saúde Mental ainda é algo complicado :D Espero ainda estar trabalhando quando alcançarmos um patamar superior da fisiopatologia da psiquê.

  5. Por Marla Silvestre em 3 jun, 2008 | Responder

    Gostei muito das suas informações e necessito de mais pois minha monografia é sobre TDAH!

  6. Por Christiane Kanzler Barbosa Nunes em 4 jun, 2008 | Responder

    Bom dia, Marla!
    Agradeço o seu interesse pelo post mas acredito que não possa te oferecer um apoio significativamente maior, já que as sugestões para a monografia só seriam possíveis se você tivesse especificado o tema do seu trabalho.
    Entretanto, acredito que as bibliografias que eu sugeri no post são bem interessantes, assim como os outros textos que estão agrupados em “Categorias” - “tdah”. Os sites citados acima também oferecem bons caminhos.
    Boa sorte no seu trabalho!
    Atenciosamente,
    Christiane

  7. Por sueli em 4 set, 2008 | Responder

    drº Leonardo boa tarde?

    gostaria de tirar uma dúvida uma criança com tdah tem que tomar medicamento a vida toda ?
    meu filho foi diagnosticado por um neuro tomou ritalina por 2 anos e faz1 ano e meio que parei de dar porque melhorou muito na escola as
    notas são de 8 a 10 só que neste mês ele desanimou dos estudos ficou deprimido voltou tudo de novo o que devo fazer levá-lo no neuro novamente? obs: ele tinha7 anos qdo levei no neuro a 1º

  8. Por Leonardo Ferreira Fontenelle em 6 set, 2008 | Responder

    Sueli, medicamento de TDAH não é para a vida toda. Naturalmente, para saber do caso de seu filho, apenas em uma consulta propriamente dita.

    Já adianto a necessidade de você levar em consideração que várias coisas influenciam o comportamento de uma pessoa, ou seu desempenho acadêmico. Se seu filho está triste por algum motivo, ou se ele estiver mesmo com um transtorno depressivo, isso pode muito bem interferir no rendimento escolar sem implicar na retomada da medicação.

    Além disso, como você já deve ter lido, é muito comum diagnosticar-se TDAH onde não há. E também poucos profissionais sabem lidar com saúde mental de crianças e adolescentes. Por isso, pode valer a pena confirmar qualquer diagnóstico com um outro profissional, principalmente se o primeiro não for especializado em crianças.

  9. Por Leonardo Ferreira Fontenelle em 6 set, 2008 | Responder

    Em tempo: não sou mantenedor do blog, apenas um leitor freqüente.

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