Desafios da clínica psicológica – Parte II

31 agosto, 2007 | por Christiane Kanzler |

Essa retomada dos desafios da clínica psicológica têm o objetivo de discutir os modismos na psicologia e os cuidados que devemos ter para discernir essas influências dos sintomas apresentados pelos clientes na elaboração do diagnóstico e no decorrer do tratamento psicoterápico.

Quando me formei, só se falava em Síndrome do Pânico. Era um quadro que beirava uma epidemia, de tão freqüentemente relatado nos consultórios e discutido na mídia. O diagnóstico casado “Depressão com Síndrome do Pânico” também era comum e assustava a todos.

Hoje, não sei se por atender mais crianças e adolescentes, vejo que os diagnósticos de hiperatividade, distúrbio alimentar e compulsão têm sido a tônica das discussões.

Já recebi pais angustiados com a possibilidade de sua criança ser hiperativa aos dois anos, algo impensável. Normalmente, a orientação de pais nessas ocasiões visa tranqüilizá-los, quebrar os rótulos porventura estampados na sua criança, avaliar o contexto de vida da criança e da família e propor alternativas. O fortalecimento do papel dos pais é algo muito importante que o profissional da saúde mental deve favorecer.

Assim, sei que o acesso à internet, a discussão ampla dos aspectos psicológicos do desenvolvimento humano, a comunicação facilitada e o Google ajudam muito a nossa vida, porém, o psicólogo deve estar atento às influências trazidas pelos clientes e às queixas importadas dos diagnósticos que eles mesmos elaboram, para que não cometa falhas e comprometa a sua intervenção clínica.

  1. 4 Respostas to “Desafios da clínica psicológica – Parte II”

  2. Por Leonardo F. Fontenelle em 31 ago, 2007 | Responder

    Cuido de adultos, e ainda vejo muita “depressão”, embora nem tanto “pânico”. Acho interessante observar que muitos pacientes fazem ou fizeram seguimento por algum transtorno mental, e só sabem dizer que tiveram diagnóstico de “depressão”, ainda que dois minutos de consulta sejam suficientes para uma suspeita de comorbidade. (PS não sou psicólogo, sou médico de família.)

  3. Por Christiane Kanzler em 1 set, 2007 | Responder

    Aí entra novamente a questão que você comentou no post do Vladimir a respeito da importância de uma boa anamnese na consulta.

  4. Por Márcia Pinheiro em 3 set, 2007 | Responder

    Achei o texto muito bem escrito, com forte contextualização sobre a realidade clínica. Parabéns!

  5. Por Christiane Kanzler em 3 set, 2007 | Responder

    É esse mesmo o nosso objetivo, oferecer um espaço para discussão da nossa realidade profissional.
    Espero que consigamos estimular algumas reflexões, compartilhar um pouco da nossa experiência e que as pessoas se sintam à vontade para contribuir.
    Agradeço a sua observação e o seu interesse, sobretudo porque sei que a sua praia é RH.
    Obrigada!

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