Desafios da clínica psicológica – Parte III

7 setembro, 2007 | por Christiane Kanzler |

Uma demanda recorrente na clínica infantil é a falta de autoridade dos pais.

Vivemos há alguns anos um período durante o qual era proibido proibir. As mães eram orientadas a não dizer “não” às crianças, sob o receio de traumatizá-la e cercear sua liberdade de expressão e criatividade.

Recentemente, vêm sendo discutida uma posição contrária, que ressalta a importância do limite. Talvez porque a sociedade vem sofrendo com as afrontas à liberdade e à recorrência de atos infracionais cometidos por pessoas a cada dia mais novas e algumas vezes mais cruéis.

Particularmente, acredito que devemos buscar um equilíbrio entre a liberdade e o limite, e o resgate da autoridade dos pais é fundamental para que isso ocorra. A autoridade não necessita ser acompanhada da violência, nem tampouco de comportamentos tiranos. A autoridade dos pais é, no meu entendimento, a segurança do limite, da continuidade da relação e da continência dos pais.

Validar a autoridade dos pais é um desafio da clínica psicológica porque engloba várias sub-avaliações e cuidados, tais como:

  • Como os pais exercem a autoridade? De maneira agressiva e exclusivamente punitiva? Existe respeito e amor entre as pessoas ou a autoridade é mantida pelo medo?

  • Existe coerência e concordância entre os membros da família quanto ao que pode e quanto ao que não é aceitável?

  • A autoridade exercida pelos pais resiste à verdade dos filhos?

  • Os papéis estão claros na família?

  • Os pais têm condições de exercer a autoridade (disposição e disponibilidade) ou necessitam de ajuda (profissional ou de familiares/amigos)?

     

Quando necessária ajuda profissional, o psicólogo deve estar atento para não extrapolar os limites da sua competência profissional e deve estimular que os membros sejam capazes de reconhecer a competência da própria família em resolver seus conflitos, fortalecendo a confiança entre eles e legitimando o seu sucesso, quando as coisas se restabelecem.

Programas de TV como “Mothern” e “Paidecendo no paraíso” vêm em resposta às incontáveis expectativas e satisfações que os pais modernos devem corresponder para vencerem a insegurança e se convencerem de que são capazes de ter uma família saudável. O excesso de manuais e exigências podem enfraquecer a auto-confiança deles, minar a intuição e a criatividade na resolução de conflitos e ser nocivo a toda a família.

Sobre esse tema, gostaria de indicar um livro com o qual fui presenteada há alguns anos pelo avô de um garoto muito querido que atendi. Nunca vi citações desse livro na literatura psicológica, mas considerei uma leitura muito especial para quem aprecia essa temática ou tem interesse em conhecer o conceito de presença parental. Chama-se: “Autoridade sem violência – o resgate da voz dos pais”, de Haim Omer, Ed. ArteSã.

Espero que os psicólogos aproveitem as indicações e que os pais sintam-se valorizados e confiantes para exercerem a autoridade que lhes cabe, com amor e determinação.

  1. Uma Resposta to “Desafios da clínica psicológica – Parte III”

  2. Por Lucia Serrão do Nascimento em 5 dez, 2007 | Responder

    Prezados Senhores(as)

    Meu nome é Lúcia, sou psicóloga e faço curso de especialização em
    Psicossomática Psicanalítica no Instituto Sedes Sapientiae em São
    Paulo.
    Estou iniciando minha carreira como Psicóloga e procuro sala para alugar. Como ainda não tenho pacientes, gostaria de saber se vocês
    atendem convênios e se fazem encaminhamentos
    Desde já agradeço e me coloco a disposição para sanar quaisquer dúvidas
    Cordialmente
    Lúcia Serrão do Nascimento
    3231 0183
    9456 1269

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