A prevenção da violência
7 fevereiro, 2008 | por Christiane Kanzler |O livro é dividido em três partes – Efeitos prejudiciais da privação da mãe; A prevenção da privação e Pesquisas sobre os efeitos prejudiciais da privação – e parte do princípio de que a qualidade dos cuidados parentais que uma criança recebe em seus primeiros anos de vida é de importância vital para a sua saúde mental futura.
Baseado em diversos estudos e na sua experiência com crianças abrigadas em consequência de guerra, o autor relata as repercussões da privação em cada período de desenvolvimento da criança, com um prognóstico da evolução.
A prevenção da violência entra quando se constata como “as angústias provocadas por relações insatisfatórias na primeira infância predispõem as crianças a reagirem, mais tarde, de forma anti-social diante das tensões” (p. 5).
As crianças que sofreram privação afetiva podem apresentar características como: relacionamento superficial; falta de capacidade de se interessar pelas pessoas ou de fazer amizades profundas, com sentimentos verdadeiros; inacessibilidade / retraimento / isolamento afetivo; nenhuma reação emocional em situações em que elas seriam esperadas (falta de preocupação); falsidade e evasivas; furtos; falta de concentração na escola; sexualidade precoce; baixo desempenho escolar; dificuldade na noção de tempo; agressividade; negativismo; choro excessivo;dificuldades na alimentação; hiperatividade; transtornos de fala; transtornos de excreção, entre outras.
Essas características são preocupantes, ainda mais quando se têm em mente que essas crianças crescem e, em geral, reproduzem a própria privação. Medidas preventivas poderiam reduzir a dimensão desse efeito, quebrando esse ciclo vicioso.
A simples constatação de que “O amor materno é tão importante para a saúde mental do bebê e da criança pequena quanto o são as vitaminas e proteínas para a saúde física” (p.232) poderia servir de estímulo aos governos e à comunidade, com a prevenção da privação, através da atenção às mães depressivas; valorização da importância da família; prevenção da violência às crianças (controle parental); auxílio direto às famílias (econômico, médico e social); programas comunitários e cuidadoso preparo e acompanhamento dos lares substitutos.
Nem sempre as medidas necessárias são de fácil implantação, mas acredito que falar nisso e discutir alternativas tem que ser colocado em discussão, porque precisamos refletir sobre o que temos feito com as nossas crianças.
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