O Cheiro do Ralo
20 fevereiro, 2008 | por Vladimir Melo |
Não posso deixar de citar um filme que assisti em DVD nos últimos dias: “O Cheiro do Ralo“, de Heitor Dhalia, baseado no livro de Lourenço Mutarelli.
(…) Um dos produtores, o ator Selton Mello arrasa no papel principal, um tipo esquisito, egocêntrico, sexista… e cheio de graça. A fita foi exibida com êxito no Festival de Sundance, transformou-se em sucesso instantâneo no Festival do Rio e recebeu na Mostra Internacional de São Paulo o prêmio de melhor filme, tanto do júri oficial quanto da crítica. Tudo gira ao redor da figura de Lourenço (Selton Mello), um comprador de relíquias e bugigangas. Ele, que desfez um noivado às vésperas do casamento, não ama ninguém, despreza e humilha boa parte dos clientes, nutre duas obsessões: o bumbum de uma garçonete (papel de Paula Braun) e um olho de vidro adquirido numa negociata. Lourenço também é obcecado pelo mau cheiro que sai do ralo do banheiro de seu escritório. A multifacetada trilha sonora do instrumentista Apollo Nove, o figurino kitsch do protagonista e a presença no elenco de atrizes como Suzana Alves e Alice Braga são temperos fatais para atrair a platéia mais moderninha e, quem sabe, levar o filme a se tornar um cult.
por Miguel Barbieri Jr. (Veja São Paulo)
A relação com a caixa de dinheiro e a obsessão pelas nádegas da garçonete e pelo cheiro do ralo são traços inequívocos da pulsão anal. Por mais que o personagem tente (literalmente) enterrar a fonte do cheiro, sente-se incapaz de renunciar ao objeto de prazer, representado por quinquilharias e dinheiro, retendo-os consigo enquanto adota uma postura sádica com os clientes.