A violência contra a criança
4 março, 2008 | por Christiane Kanzler |
Na edição nº 25 da Revista Psique – Ciência e Vida, Dora Lorch, autora do livro “Como educar sem usar a violência” concedeu uma pertinente entrevista na qual abordou esse tema de forma bastante clara e coerente.
Segundo ela, “A covardia da violência aplicada contra indefesas crianças e adolescentes está em nossas casas, nas escolas e onde quer que haja esse convívio, e tem início a cada vez que um adulto, em seu trato com a criança, demonstra sua indisponibilidade para perceber as necessidades dela, ou a inabilidade em interpretar a linguagem infantil”. “Educar sem violência, (…), requer entender a criança e, sobretudo, saber enxergar as limitações do adulto”.
Durante a entrevista, foi ressaltado como muitas vezes os adultos sequer se dão conta do que estão fazendo e de como a violência pode ser recorrente, isto é, “… os adultos também foram crianças que sofreram violência; muitas vezes só conseguimos que o adulto mude seu comportamento quando ele resgata os sentimentos que tinha quando apanhava”. Outras vezes, a violência contra a criança ocorre como uma maneira de extravasar a raiva do adulto ou é acompanhada de incoerências e desproporcionalidade na punição.
Além da violência física, Dora Lorch aponta que a forma mais comum de violência ocasional é a psíquica, feita com xingamentos, humilhações e rótulos negativos. O abandono também é citado, sendo apontado como causador de mortalidade entre as crianças.
Infelizmente as notícias recentes corroboram essas afirmações. Mesmo sem a intencionalidade ou premeditação, muitas crianças já morreram dentro de carros fechados ou em decorrência de acidentes domésticos que poderiam ter sido evitados através do cuidado de um responsável.
Aqui em Brasília vem sendo noticiada uma tragédia contra um garotinho chamado Bruno, que morreu em decorrência de danos cerebrais provocados pelo espancamento. Segundo os vizinhos, as agressões ao menino eram regulares, e a mãe adotiva o teria agredido como forma de descontar uma traição cometida pelo marido. O garoto não tinha sequer registro de nascimento. Não existia oficialmente, e pode ter passado os seis anos da sua curta existência sem ter existido afetivamente para ninguém, sendo maltratado, humilhado e desconsiderado como alguém sem direitos nem merecedor de amor, cuidados e nem um mínimo de dignidade.
Espero que a Lei 11.523, de 18 de setembro de 2007 seja respeitada e que essa reflexão na Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, celebrada anualmente entre os dias 12 e 18 de outubro se converta em ações concretas em proteção à criança e na preservação de seus direitos.
Mais que isso, que tenhamos a auto-crítica de considerar o nosso papel nessa mudança e a coragem de agir efetivamente na construção de uma sociedade mais justa e pacífica.
Leia mais:
http://www.escala.com.br/detalhe.asp?id=8998&grupo=48&cat=185
http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_118.htm?
http://www.leidireto.com.br/lei-11523.html
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