Cinema é coisa de maluco, no CCBB

Boa dica da Christiane Kanzler

Tirado do ‘Divirta-se’, segmento de lazer do Correio Braziliense:

A mostra Cinema é coisa de maluco, que começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), apresenta 26 filmes que tratam direta ou indiretamente de um mesmo tema: a loucura. De O gabinete do Dr. Caligari (1919) a Os idiotas (1998), a programação não se limita a determinados gêneros ou épocas. O número de títulos parece grande. Mas, para o curador Daniel Caetano, não seria complicado definir uma outra seleção de longas-metragens sobre esse assunto — e tão parruda quanto. “A cada semana encontramos filmes com personagens neuróticos, psicóticos e perversos. A loucura sempre esteve muito presente no cinema”, afirma.

Em conversas com a psicóloga Bianca Novaes, mestre em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daniel começava a definir o perfil da mostra: dividida em cinco módulos (neurose, perversão, psicose, hospício e sociedade), ela reúne produções que observam certos comportamentos definidos pela Psicanálise. Na hora de escolher os títulos, e diante de um repertório tão extenso de opções, pesou o gosto pelo cinema. “Acima de tudo, são filmes de grande força cinematográfica”, ressalta Daniel, codiretor do filme coletivo Conceição — Autor bom é autor morto (2007).

Para o cinéfilo, será a oportunidade de ver ou rever, em película, obras-primas como Crepúsculo dos deuses (1950), de Billy Wilder, A história de Adèle H. (1975), de François Truffaut, e A bela da tarde (1967), de Luis Buñuel. Já o público que procura na tela investigações da psiquê humana encontrarão fascinantes “estudos de caso” em personagens como Norman Bates (de Psicose), o sorveteiro João de Deus (de A comédia de Deus) e o herói brasileiro de Louco por cinema. “No geral, a arte traz olhares para o que não é certinho, para o que é difícil de compreender. Tratar de pessoas que estão no limite sempre foi uma tendência muito forte. Nos revela que é normal ser diferente”, observa.

Daniel encontrou no documentário inglês The pervert’s guide to cinema, de 2006, o ponto de partida para a composição da mostra — que será exibido em DVD. Dirigido por Sophie Fiennes, o longa de 2h30 se deixa conduzir pelas reflexões do filósofo, sociólogo e psicoanalista esloveno Slavoj Zizek, que interpreta cineastas como Alfred Hitchcock e Charlie Chaplin à luz da Psicanálise. “O interessante é que o filme dá uma outra perspectiva para o cinema”, comenta. Outra raridade da programação é o polêmico Titcut follies (1967), de Frederick Wiseman, que desnuda com imagens duras o cotidiano de uma instituição psiquiátrica. “A loucura aí também é da sociedade”, nota Daniel.

- Tiago Faria

Déjà vu?

Notícia do dia 23 de junho de 2009, publicada no site do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro:

A Comissão de Análise para Concessão do Título de Especialista (CATE) do CRP-RJ vem sendo contactada por muitos psicólogos que fizeram o IV Concurso de Provas e Títulos para Concessão do Título de Especialista do CFP. A prova aconteceu no dia 08 de dezembro de 2008, porém os exames referentes às especialidades Psicologia Clínica, Psicologia Social e Psicologia Jurídica foram posteriormente cancelados.

A CATE informa que, em 17 de junho deste ano, entrou em contato com o Conselho Federal de Psicologia, responsável pelo desenvolvimento e pela contratação da empresa organizadora do concurso, e foi informada de que ainda não há nova data prevista. Solicitamos aos psicólogos, assim, que aguardem e que fiquem atentos às notícias de nosso site e informativo eletrônico.

Da mesma forma, a prova para a especialidade de Psicologia Hospitalar será organizada em outro momento, por ocasião do VII Congresso de Psicologia Hospitalar da SBPH – Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar. Muitos psicólogos vêm nos contatando devido à notícia, no site da SBPH, sobre a data da realização da prova.

O CFP informa que ainda não há outras informações e que os psicólogos devem aguardar o lançamento do edital, o que deve ocorrer em breve, visto que a prova está prevista para setembro deste ano.

Bonecos como objetos transicionais – Parte II

The Velveteen Rabbit ou Como os brinquedos tornam-se reais é uma história infantil escrita por Margery Williams e ilustrada por William Nicholson. Ela fala de um coelho de pelúcia e sua busca para se tornar real, através do amor do seu dono. O livro foi publicado pela primeira vez em 1922 e foi reimpresso muitas vezes desde então. The Velveteen Rabbit foi o primeiro livro infantil de Margery Williams e é o mais popular dos que ela escreveu.


Resumo

Um garoto recebe um coelho de pelúcia (velveteen rabbit) de Natal, que passa a ser desdenhado por outros brinquedos mais caros e pelos brinquedos mecânicos, que imaginam ser de verdade. Um dia, ao conversar com o cavalo de pele (Skin Horse), o coelho aprende que, só é possível tornar-se real, se o seu dono amá-lo verdadeiramente.

Quando o menino perde o cachorro de porcelana, o coelho de pelúcia é rapidamente dado a ele pela babá como substituto do cachorro. O coelho passa a ser a constante companhia do menino e então começa a ficar surrado, mas o menino não se importa e o ama cada vez mais. Numa floresta próxima à casa do menino, o coelho de pelúcia encontra coelhos selvagens e aprende o quanto é diferente quando os coelhos reais dizem que ele não é capaz de pular com as patas traseiras.

Os tempos do coelho com o menino chegam ao fim quando este cai doente de escarlatina. O menino fica doente por um longo período e, depois da sua recuperação, vai à praia por recomendação médica. O menino deseja levar o coelho com ele, mas o médico o proíbe de brincar com o bicho de pelúcia e recomenda que o coelho seja queimado junto com os livros velhos para desinfetar o ambiente da criança. Enquanto aguarda entre os livros, onde seria queimado, o coelho sentiu-se solitário e chorou uma lágrima de verdade. A lágrima fez aparecer uma fada, que disse ao coelho que ele era real para o menino e o levou para a floresta, onde ele percebeu que havia se tornado um coelho de verdade. Ali, ele correu e se juntou aos outros coelhos reais.

Na primavera seguinte, o menino avistou um coelho pulando e pensou como ele se parecia com o seu velho coelho de pelúcia. O coelho era o mesmo que havia sido dele e o olhou de volta, reconhecendo o menino que o ajudou a tornar-se real.

(Fonte: Wikipédia-inglês, com algumas alterações)

Amor verdadeiro e tornar-se REAL

O diálogo abaixo, entre o coelho e o cavalo, lembra bem uma das qualidades do objeto transicional descritas por Winnicott e citada no último post: “O objeto é afetuosamente acariciado, bem como excitadamente amado e mutilado“.

“O que é REAL?” perguntou o Coelho um dia. “Significa ter coisas que zumbem dentro de você e uma manivela saliente?”

“Real não é como você é fabricado”, disse o Cavalo de Pele. “É algo que acontece com você.”

“Quando uma criança o ama por um longo, longo tempo, não apenas para brincar com você, mas REALMENTE ama você, então você se torna Real.”

“Isso machuca?”

“Hummmmmm… às vezes”, ele era sempre sincero. “Quando você é Real, não se preocupa em ser machucado.”

“Acontece tudo de repente, como quando alguém lhe dá corda ou aos poucos?”

“Não acontece tudo de repente… Você se torna. Demora um longo tempo. Por isso, não acontece frequentemente para as pessoas que se quebram facilmente, ou que têm bordas afiadas, ou que têm que ser guardadas com cuidado.”

“Geralmente, quando você se torna Real, a maior parte de seu cabelo foi amorosamente arrancada, e seus olhos caem e você se torna frouxo nas juntas e muito surrado.”

“Mas estas coisas não importam no entanto, porque uma vez que você é Real, você não pode ser feio, exceto para pessoas que não compreendem”.

(Tradução: IDPH – http://www.idph.com.br/conteudos/idiomas/velveteenrabbit.shtml)

Para concluir…

D. Winnicott apostou que é o impulso destrutivo que cria a qualidade de externalidade. A história acima é a ilustração precisa do que Winnicott quis dizer com o uso do objeto pelo sujeito, como resume o parágrafo a seguir, extraído do livro “O Brincar e a Realidade”:

O objeto está sempre sendo destruído. Essa destruição torna-se o pano de fundo inconsciente para o amor a um objeto real, isto é, um objeto situado fora da área do controle onipotente do sujeito.

O pensamento em questão não é dos mais fáceis, representa uma posição desafiadora do psicanalista em relação ao modus operandi dos seus colegas de época. Mas, para quem quiser ler um pouco mais sobre o que mencionei nesta conclusão, deixo o link para um texto da psicanalista Elsa Oliveira Dias: “Winnicott: agressividade e teoria do amadurecimento”.

Bonecos como objetos transicionais – Parte I

Os bonecos inspiram muitas histórias infantis, entre as quais podemos citar: Pinóquio, The Velveteen Rabbit, Winnie The Pooh, Toy Story. Mas por que os bonecos ganham vida e tanta importância nos quartos das crianças?

Pegando carona no post do pediatra Jorge Montardo (link no último parágrafo), gostaria de conversar um pouco sobre esses bonecos e o conceito de objeto transicional, de Donald Winnicott. Este psicanalista fala do objeto transicional como uma experiência intermediária para a criança, algo que ocorre na área entre “o polegar e o ursinho, entre o erotismo oral e a verdadeira relação de objeto, entre a atividade criativa primária e a projeção do que já foi introjetado, entre o desconhecimento primário de dívida e o reconhecimento desta”.

Andy - Toy Story

O objeto (normalmente fralda ou bicho de pelúcia) do qual Winnicott fala costuma aparecer na hora de dormir e surge como uma defesa contra a ansiedade do tipo depressiva. Mas o que quero enfatizar aqui é que o objeto transicional precisa ser usado e gasto pelo uso diário (é muitas vezes inclusive babado). E destituir o objeto das suas propriedades designadas pelo brincar da criança pode introduzir uma ruptura de continuidade na experiência do bebê, como diz o próprio Winnicott.

Pois bem, agora escolho analisar uma das histórias que mencionei acima: Toy Story, dos Estúdios de Animação Pixar. O Toy Story 2 fala de um dilema do herói Woody, o boneco cowboy do garoto Andy. Woody não sabe se deve ficar com os demais brinquedos da sua coleção em um museu, onde será para sempre preservado na caixa, ou se deve retornar à casa de Andy e ser usado e gasto até um dia ser esquecido. (Para quem assistir Toy Story: repare que, em ambos os filmes, Andy procura os seus bonecos antes de sair e dormir, tal como as crianças fazem com os seus objetos transicionais).

Embora eu não esteja certo se John Lasseter, diretor do filme, já leu D. Winnicott, posso dizer que o filme retrata muito bem como se dá para a criança (ou bebê) a experiência de brincar até impregnar o boneco com suas próprias marcas. Ah, todos os bonecos de Andy tem o nome dele na sola do sapato. E por tudo o que quero dizer com o uso pelo brincar, não posso deixar de listar algumas das qualidades atribuídas ao objeto transicional por Winnicott:

  1. O objeto é afetuosamente acariciado, bem como excitadamente amado e mutilado
  2. Ele nunca deve mudar, a menos que seja mudado pelo bebê
  3. Deve sobreviver ao amar instintual, ao odiar também e à agressividade pura, se esta for uma característica
  4. Contudo, deve parecer ao bebê que lhe dá calor, ou que se move, ou que possui textura, ou que faz algo que pareça mostrar que tem vitalidade ou realidade próprias
  5. Ele é oriundo do exterior, segundo nosso ponto de vista, mas não o é, segundo o ponto de vista do bebê. Tampouco provém de dentro; não é uma alucinação.

Fonte: “O Brincar e a Realidade” (D. W. Winnicott/Imago Editora)

Pretendo dar continuidade ao tema com a história The Velveteen Rabbit no próximo post. Até lá recomendo que leiam também o post “Objeto de transição: o famoso cheirinho“, já citado, do blog Aprendendo a Vida.

Continua em Bonecos como objetos transicionais – Parte II

Mais gente chegando no Planeta

O Planeta Saúde Brasil está com gente nova no time. Recentemente, adicionei o blog Pediatra em Casa, mantido por Andre Bressan, e o blog Aprendendo a Vida, mantido por Jorge Montardo. Ambos são pediatras.

O blog Psicologia dos Psicólogos ainda não está em definitivo no Planeta porque o tema (com texto branco) o deixa invisível no leitor de feeds. O autor, Felipe Stephan Lisboa, ficou de corrigir o problema quando tiver tempo.

E, como o pessoal não brinca em serviço, três dos blogs agregados no Planeta estão na disputa no Top Blog: Pediatra em Casa (categoria Variedades), Aprendendo a Vida (categoria Saúde) e ConsCiência no Dia-a-Dia (categoria Saúde).

Com isso, temos agora blogs das seguintes áreas de saúde:

  • Medicina

Endocrinologia

Pediatria

Oftalmologia

Neurologia

Saúde da Família

  • Psicologia

Quem tiver sugestões de blogs legais na área de saúde, por favor entre em contato comigo.