O site do Correio Braziliense ganhou um visual novo e, neste domingo 21/06/2009, publicou uma matéria curiosa na Revista.
O título da matéria é Olha o aviãozinho! e fala das dificuldades que os pais enfrentam para que os seus filhos se alimentem bem.
Pelo fato da jornalista Maria Fernanda Seixas tomar o documentário (exibido na GNT) da psicóloga Gillian Harris como referência para analisar o tema, aviso que a matéria rende-se à compulsão de cientistas norte-americanos de patologizar e classificar tudo. Então, temos na reportagem: a criança que não come; a seletiva; a que come muito, mas come mal; a que come pouco; a que odeia comida; a traumatizada e a carente. Faltou apenas um questionário com a pontuação para definir que tipo de criança é o seu filho!
A matéria é bem clara em relação ao que fazer. Não se deve forçar a criança a comer. A hipótese abordada sobre o que leva a criança a recusar comida afirma que esse comportamento é uma forma de protesto. A psicóloga Gillian Harris, tida como guru pelo Correio, fala de uma fobia alimentar, mas o exemplo dado não me parece nada além do que o ciúme de uma criança diante do nascimento do irmão mais novo. A exemplo de outros casos de ciúme, a criança reestabeleceu a alimentação sem complicações, com o tempo.
Ainda que o propósito seja louvável, esse tipo de texto me parece confuso. No fim das contas, o leitor não sabe se a resistência para se alimentar é parte do desenvolvimento da criança ou se a criança sofre da tal fobia alimentar. Como eu já disse, os cientistas norte-americanos sempre surgem com classificações novas para questões antigas.
Não caio mais nessa…
De qualquer maneira, recomendo que leiam (quem tem acesso ao Correio) e tirem as suas próprias conclusões.
Falou tudo!!!! Gostei! Bjs!
Obrigado!
Vladimir:
Sou pediatra e trabalho com frequência com este tema. Realmente é difícil evitar as classificações, mas concordo contigo que há muitos exageros neste sentido. Tomo a liberdade (sei que isto não é algo muito adequado) de sugerir a leitura da abordagem que fiz sobre o tema no blog Aprendendo a Vida e gostaria da tua opinião e contribuição sobre a mesma. Gostei muito da tua abordagem crítica da matéria.
Um abraço
Olá Montardo,
Acho que você cercou muito bem vários aspectos sobre o tema. Entendo que a alimentação da criança pode depender ainda do caráter e ganhar várias representações de acordo com a situação. A criança, por exemplo, quando se identifica intensamente com outra, pode assimilar seus hábitos alimentares. Não é por acaso que os pais elogiam para a criança os hábitos alimentares de amigos ou irmãos.
Gostei muito dos seus posts e recomendarei a leitura.
A propósito, gostaria de saber se tem interesse de ter o blog agregado no Planeta Saúde?
Obrigado pela sugestão.