O melhor de Almodóvar em cinco perguntas e respostas

Pedro Almodóvar, cineasta espanhol, lançou muitos filmes que abordam conflitos de relacionamento de maneira cômica e melodramática. Com frequência, são citados ou analisados em debates de psicólogos e psicanalistas. Por isso, vou reproduzir um pequeno esquema de perguntas e respostas sobre os principais filmes do cineasta, publicado pela revista Punto y Coma número 33 (página 27). A capa desse número é o filme A pele que habito, o filme mais recente de Almodóvar.

Descobrindo Almodóvar

Desde o começo Punto y Coma muitas vezes tem reivindicado o talento e a marca de Pedro Almodóvar, mas para os que ainda não ousaram lhe dar uma oportunidade, aqui vai uma lista com os filmes básicos de sua filmografia.

1. O mais divertido? Mulheres à beira de um ataque de nervos, algo como um Billy Wilder grosseiro passado pelo filtro dos anos oitenta.

2. O mais emocionante? Volver, um retrato fascinante, afetuoso e pessoal dessa terra, dessas mulheres e dessa lendas que o fazem tão manchego.

3. O mais dramático? Fale com ela, um drama absoluto, intenso, tão difícil de contar como satisfatório de acompanhar.

4. O maior? Tudo sobre minha mãe, o compêndio de todas as versões de si mesmo que temos conhecido ao longo de sua carreira: o excessivo, o divertido, o comedido, o melodramático, o sensível, o gênio…

5. E o melhor? Ata-me!, tragicomédia brutal, filme de personagens e grandes momentos, um dos sequestros mais bem contados de todos os tempos.

Qualquer um desses cinco vale para começar a entender a dimensão de um diretor que já é mais que um diretor. É um ícone do cinema.

[DVD] Freud: análise de uma mente

Fui ontem à Livraria Cultura aqui de Brasília e, na seção de revistas, me deparei com um documentário sobre Sigmund Freud que eu ainda não conhecia. O nome do filme é “Freud: análise de uma mente“, produzido pela BIO. The Biography Channel e distribuído no Brasil pela Logon Editora Multimídia.

O encarte apresenta o documentáro da seguinte forma:

Quando o doutor Sigmund Freud começou a perguntar aos pacientes sobre os sonhos deles, seus colegas de Viena tacharam-no como louco. No entanto, poucos sabiam que muitas de suas percepções mais perturbadoras e revolucionárias eram fruto de uma auto-análise, pois ele mesmo tinha várias neuroses.

Persistindo nas indagações, seguiu os sonhos até suas raízes, o inconsciente. Ao fazê-lo, inventou a psiquiatria moderna.

Produzido pelo BIO. THE BIOGRAPHY CHANNEL, Freud: análise de uma mente revela detalhes da vida e da psique do pai da psicanálise. O documentário traz ainda trechos do único relato em vídeo que Sigmund Freud gravou, aos 81 anos, falando sobre sua carreira.

Quem quiser assistir alguns minutos de documentário (em inglês), pode fazer isso na página da produtora do filme no You Tube [http://www.youtube.com/watch?v=wiBy9MmK4jY]. Para quem prefere em português, um vídeo curto pode ser visto no site da Logon [http://www.logon.com.br/modulos/videos/default.asp?video=13].

O filme tem 47 minutos, com áudio em inglês ou português e legendas em português. O valor do dvd varia em torno de R$ 20.

Síndrome de Tourette em filme sobre Alice

A menina no país das maravilhas

Nos últimos dias, assisti o filme “A menina no país das maravilhas” (2009), que considerei interessante pela forma como aborda a Síndrome de Tourette associada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Vou primeiro exibir abaixo a sinopse e o trailer oficial legendado disponíveis no site da Imagem Filmes:

Um fantástico filme, onde a realidade e os sonhos se encontram. Phoebe (Elle Fanning), é uma menina rejeitada pelos seus colegas de classe, que deseja mais do que tudo participar da peça de teatro da escola, Alice no País das Maravilhas. Com o estress do dia a dia, o comportamento de Phoebe piora cada vez mais criando uma forte pressão em seus pais Hillary (Felicity Huffman) e Peter (Bill Pullman). Ambos tentam compreender e ajudar a filha. Mas Phoebe se esconde em suas fantasias, confundindo realidade com sonho. A menina terá que encarar um duro, doloroso e emocionante processo, passando pela incrível transformação, com a de uma lagarta que se torna uma bela borboleta.


[Caso esteja lendo este post pelo feed, assista o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=eQxCBqaJUhs]

A menina manifesta o sintoma de coprolalia, que é a tendência involuntária de proferir palavras obscenas ou fazer comentários geralmente considerados socialmente depreciativos e, portanto, inadequados. Coprolalia pode fazer referência a excremento, genitais ou atos sexuais (Wikipédia). Apesar disso, não desenvolve os tiques involuntários característicos da Síndrome de Tourette.

Associado à Sindrome de Tourette, a protagonista do filme (Phoebe) apresenta também o Transtorno Obsessivo Compulsivo com sintomas psicóticos, no qual cria rituais autopunitivos para neutralizar as fantasias. Assim, machuca as mãos ao lavá-las exaustivamente, cria jogos intermináveis de pular até cair e tem delírios e alucinações visuais (sintomas psicóticos) com a história de “Alice no país das maravilhas”.

A mãe de Phoebe sente-se culpada porque se percebe distante e trabalha numa dissertação justamente sobre o livro de “Alice”. Por isso, considera o quadro da filha uma tentativa de aproximação e adota uma postura superprotetora. Por coincidência, a escola de Phoebe monta a peça sobre a história de Alice e, como ocorre entre os portadores de Tourette, ela representa sem manifestar os sintomas.

Elle Fanning é uma atriz que comove no papel de Phoebe e, apesar de nova, já trabalhou em várias séries de TV e em filmes de sucesso, como “Babel” e “O curioso caso de Benjamin Button” (ambos coincidentemente com Brad Pitt e Cate Blanchett).

Criança (ou pais): a alma do negócio

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgou no seu portal o documentário “Criança, a alma do negócio”, produzido em 2008 e dirigido por Estela Renner. O filme critica os efeitos da publicidade dirigida à criança e atribui algumas estatísticas preocupantes a essa questão. A sugestão do documentário para o problema é seguir o que fazem outros países: aplicar restrições.

O filme aborda muito bem o fenômeno e, quanto aos fatos, eu não tenho o quê argumentar. Por outro lado, os depoimentos dos pais na película são de uma impotência alarmante. A vitimização das figuras parentais, que se mostram oprimidas e encurraladas diante da recusa aos filhos, constitui um sintoma social muito mais sério.

O regime capitalista exige da sociedade melhor organização frente às tentações proporcionadas pelo acúmulo de riqueza. Se os pais hoje assistem os desdobramentos da sua falta de limites de maneira tão passiva quanto os filhos assistem a publicidade, eles são tão vítimas quanto as crianças? Ou são tão responsáveis quanto os empresários/publicitários?

E mais, será que os pais se alimentam de forma saudável e não são reféns do seus “desejos” por “brinquedos” de adultos? Eu afirmo com forte convicção que de nada vale proibir publicidade dirigida às crianças se os pais são modelo do que supostamente combatem. Talvez, seja justamente por isso que não conseguem dizer “não” aos filhos. Estão igualmente presos nesse conflito. E, provavelmente, é disso que a publicidade tira proveito.

E agora, vamos proibir também a publicidade dirigida aos adultos?

Temos como alternativa colocar os pais na berlinda. Se eles tiverem seus próprios limites e souberem lidar com as suas próprias frustrações, certamente estarão aptos a dizer o “não” que tanto representará para os filhos. Acredito que as crianças hoje em dia não sabem o nome de verduras (como mostra o filme) também porque são poucas as mães que cozinham e ensinam os filhos a cozinhar. Infelizmente, não temos sequer uma estatística de quantos pais almoçavam e quantos almoçam com os filhos atualmente.

A ausência dos pais é uma questão espinhosa e me arrisco a dizer que o filme trata essencialmente disso. Como psicólogo, espero que a sociedade assuma sua responsabilidade e crie mecanismos para usar da melhor maneira o seu poder. Se podemos tirar um presidente, podemos aprender a usar um controle remoto e comprar o que é melhor para os nossos filhos. Tudo isso sem culpa.

O filme está disponível para download gratuitamente. Assistam à vontade, não é pirataria!

[DVD] Freud, Além da Alma – Edição Especial

Hoje ganhei um presente maravilhoso do Sr. Paulo Melo: o DVD duplo “Freud, Além da Alma” Edição Especial. Para quem não conhece, este filme, lançado em 1962 pelo genial diretor John Huston, cobre o período inicial da carreira de Sigmund Freud, vivido pelo ator Montgomery Clift.

Na película, há o famoso encontro entre o jovem Freud e o famoso neurologista Charcot, ocasião em que o pai da Psicanálise interessou-se pela técnica da hipnose e passou a usá-la no tratamento da histeria. Como sabemos, pouco tempo depois, Freud abandonou o uso da hipnose em lugar da associação livre.

Além do encontro com Charcot, o filme mostra como o pensamento de Freud desafiou o cenário da psiquiatria no fim do século XIX (provavelmente isso ainda ocorre nos dias de hoje). Naquela época, Freud também começava uma intensa amizade com Joseph Breuer e a empregar a autoanálise para  decifrar o próprio inconsciente e formular conceitos.

O roteiro usa um recurso interessante, que é condensar vários casos (especialmente Anna O.) em um só, o da personagem Cecily (Susannah York). Quem já assistiu ou leu “Quando Nietzsche chorou”, reconhecerá rapidamente os conflitos pelos quais Breuer passou por causa de Anna O. Sendo assim, o filme retrata muito bem a neurose de transferência, o Complexo de Édipo e o papel da sexualidade nas neuroses.

Enfim, o filme já valeria por esse precioso retrato do período de nascimento da Psicanálise, mas há mais, um DVD extra e material adicional: o filme “Freud em Viena”, vida e obra de John Huston e depoimentos do Prof. Renato Mezan (PUC-SP). Se você gosta de Psicanálise e cinema, recomendo que providencie o seu.

Caso queira saber mais sobre o filme, leia os detalhes no site da 2001 Vídeo.