Consultório mínimo de psicologia

Recebo quase todos os dias comentários neste blog me perguntando sobre como começar a montar um consultório de psicologia. Sempre tento deixar aqui algumas sugestões simples e práticas. Segue uma breve lista de serviços e objetos indispensáveis em um consultório:

Objetos/Móveis

  • Telefone com secretária eletrônica
  • Conjuntos de sofás (para a sala de atendimento e, se possível, recepção) e cadeiras (recepção)
  • Mesa e cadeira
  • Computador e impressora
  • Armário com chave (para guardar documentos e, se for o caso de atendimeno infantil, outro para guardar brinquedos)
  • Lixeiras (para a sala de atendimento, recepção e banheiro)
  • Bebedouro ou purificador de água
  • Circulador de ar ou ar condicionado
  • Revisteiro

Serviços

  • Contabilidade
  • Motoboy
  • Provedor de internet e conta de telefone

Além disso, existem os gastos fixos: condomínio, aluguel, IPTU, anuidade do CRP e ISS.

Este post é a atualização de um outro publicado em julho de 2011: O que um consultório de psicologia deve ter

Sobre Ritalina, Prozac e outros remédios: Psicólogo, levanta-te e anda!

O periódico do Conselho Federal de Psicologia (CFP) número 102, publicado em outubro de 2011, aborda a questão da crescente medicalização como um fenômeno que preocupa a Psicologia. Segundo dados do IMS Health Brasil, 23,2 milhões de cápsulas de fluoxetina (antidepressivo também conhecido pelo nome comercial Prozac) foram vendidas em 2007, e entre janeiro e junho de 2011 esse número saltou para 34,6 milhões. O IMS-PMB – Pharmaceutical Market publicou um levantamento sobre as vendas de metilfenidato (conhecido pelo nome comercial Ritalina, usado para o tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade): 71 mil caixas vendidas em 2000 e 1,14 milhão vendidas em 2008.

Talvez os psicólogos devam fazer a sua mea culpa nessa estatística, pois muitas vezes cedem à expectativa social de oferecer respostas imediatas. O espetáculo midiático em torno dessas medicações exerce uma pressão enorme sobre os psicólogos, que não receitam a medicação mas fazem sua parte encaminhando muita gente aos psiquiatras e neurologistas. Existe aí uma grande oportunidade para o psicólogo investigar as causas desses transtornos, sobretudo mediante a psicologia profunda, através da qual o paciente pode alcançar respostas duradouras e esclarecedoras a respeito do seu mal-estar.

Não sou contra o uso da medicação, porém não há dúvida acerca da banalização dessa forma de tratamento. Infelizmente, encontro livros de psicologia e matérias de jornais e revistas em que a participação do psicólogo nem de perto acrescenta o que deveria. Em geral, ele lamentavelmente se coloca como coadjuvante do tratamento psiquiátrico, que por sua vez promove a ideia de que a “cura” depende dos avanços da indústria farmacêutica. O que de fato ocorre é o contrário: se o paciente não se entregar ao tratamento psicológico, de baixo custo a longo prazo, a perspectiva será permanecer refém da medicação a vida inteira.

Se você é psicólogo e trabalha com planos de saúde, leia e espalhe esta ideia!

Prezada Coordenadora e Fiscal
MARCELA VALENTE RIBEIRO

Gostaria de encaminhar esta proposta à Plenária, que na verdade
constitui a continuidade do debate iniciado no Encontro de
Responsáveis Técnicos promovido pelo CRP-01. Como dito naquela
ocasião, observo que a discussão em torno do que o psicólogo pode ou
não fazer deve ser marcada por referências técnicas e concretas,
estabelecidas por entidades especializadas da Psicologia, a exemplo do
que ocorre em outras áreas da saúde, como é o caso da Medicina e da
Odontologia.

Da Medicina vem o melhor exemplo, pois os médicos adotam a
Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos
(CBHPM), uma tabela que relaciona os procedimentos médicos por
especialidade e de maneira hierarquizada, ou seja, estabelecendo
valores, com as devidas variações, de acordo com a complexidade dos
procedimentos.

Essa tabela não só contempla todos os procedimentos legais da Medicina
como estabelece referências claras na relação entre médicos e planos
de saúde. Outras áreas da saúde também já se encarregaram de
providenciar listas de procedimentos semelhantes, que só foram
possíveis com apoio técnico de entidades especializadas. Vale lembrar
que, na maioria das vezes, essas mesmas entidades também são
encarregadas de elaborar as provas de especialista.

Acredito que medidas como essa podem atender às várias solicitações
dos psicólogos, tanto no âmbito da formação de um rol de procedimentos
psicológicos como no da fixação de honorários. A tabela que consta no
site do Sistema Conselhos de forma alguma satisfaz as necessidades dos
psicólogos e deve ser formulada com a colaboração de especialistas. Se
o Sistema Conselhos conhecer melhor a CBHPM, perceberá que esse tipo
de trabalho é rigorosamente técnico e não deve ser delegado aos
sindicatos.

Entendo que o Sistema Conselhos precisa estreitar urgentemente a
relação entre as entidades de Psicologia de tal modo que esse tipo de
trabalho seja realizado. A elaboração da CBHPM demandou do CFM um
grande esforço para compor parcerias e, por fim, chancelar o resultado
desse trabalho em equipe. E se não houver vontade política da parte do
CFP, ficarei na expectativa de que o CRP-01 tome a iniciativa de fazer
algo nesse sentido, pois não tenho dúvida que estará fazendo muito
pela dura realidade dos psicólogos do Distrito Federal.

Agradeço antecipadamente a apreciação da proposta e aguardo uma
posição do CRP-01 sobre o tema.

Atenciosamente,

Vladimir Melo

Psicologia, burrocracia e produtividade pessoal

Hoje em dia é essencial ter um computador no local de trabalho. O psicólogo que trabalha com convênios precisa estar quase sempre conectado à internet, seja para imprimir guias ou realizar o faturamento dos planos de saúde. A maioria dos planos tem uma página onde disponibiliza guias (de consulta e de SP/SADT) e tabelas de honorários com códigos de procedimento, além de um portal através do qual é possível preparar lotes no sistema TISS.

Geralmente, as guias podem ser baixadas pela internet no formato PDF, mas adotamos um modelo genérico XLS pela possibilidade de editá-las com informações da nossa clínica. Os portais TISS são aplicativos web, mas eles apenas recebem o arquivo no formato XML, não juntam as guias em lotes nem as convertem nesse formato. Para essa tarefa, contratamos mensalmente um serviço on-line que processa as guias em formato eletrônico. Como tudo é feito pela internet, existem alguns inconvenientes: não podemos preparar o faturamento sem internet e somos obrigados a trabalhar com a versão indicada do navegador Internet Explorer.

Como cada convênio tem seu portal e são muitas as senhas a serem lembradas, adotei inicialmente um Moleskine, onde tomava nota não só dos usuários e senhas, mas de todos os passos do processamento em cada portal. Só que recentemente esqueci o Moleskine em casa justamente no último dia de entrega das guias. Mesmo me salvando, resolvi usar agora um sistema de notas pela internet e instalei o programa Evernote nos computadores e no celular. Nada disso é novidade para quem acompanha sites como Lifehacker ou Efetividade.net. De todo modo, o sufoco nos fez perceber como é importante ter na nuvem as informações de que podemos necessitar de uma hora para outra.

O TISS nos obrigou a ter uma organização melhor, já que esse maravilhoso sistema representou um fortíssimo impulso para a “burrocracia” nos planos de saúde e nos faz perder um tempo absurdo com faturamento. E olha que trabalhamos apenas com meia dúzia de convênios! A gestão em saúde ainda está baseada naquela velha premissa: “Se pode complicar, para quê facilitar?”. O volume de papel que usamos a cada mês não é menor do que antes; pelo contrário, só aumenta: agora temos que imprimir recibo do processamento eletrônico e capa de lote.

Precisaremos cada vez mais de programinhas que nos ajudem a decorar senhas de portais, pois cada um quer reinventar a roda e criar sua interminável rotina de faturamento. Long live Evernote!

O debute de um consultório de psicologia

Por sugestão da leitora Elaine, gostaria de conversar um pouco sobre a experiência do debute de um consultório de psicologia. O meu primeiro ano do consultório foi diferente do primeiro ano da clínica. Meu consultório não se tornou clínica porque foi ampliado, mas quando eu abri com a Christiane uma empresa.

Deixe-me contar inicialmente sobre o primeiro ano de consultório, que foi sofrido, pois eu havia saído de uma clínica conhecida em Brasília e não tinha uma fonte sólida de pacientes. Como eu administrava um trabalho social na outra clínica, continuei o trabalho no meu próprio consultório, com plena consciência de que aquela era uma solução provisória. Como a demanda de pacientes do projeto social aumentou rapidamente, precisei convocar outros psicólogos jovens para me ajudar nos atendimentos e assim trabalhei durante um ou dois anos.

Por sorte, uma amiga minha me indicou para trabalhar com uma ONG chamada CERNEGRO. Num primeiro momento, usei a rede de psicólogos do projeto social para o projeto SOS Racismo, da ONG, mas com o tempo percebi que o trabalho funcionaria melhor se fosse realizado em grupo. Naquela ocasião, a coordenadora da ONG já me pedia que eu abrisse uma empresa para prestar serviços na condição de Pessoa Jurídica. Quando renovei meu vínculo com a ONG, mudamos a forma de trabalho: passei a trabalhar com uma psicóloga, Christiane, e uma estagiária, Tatiana, alterando a forma de atendimento de individual para grupal. Posteriormente, foi integrada uma assistente social à equipe.

Durante o tempo em que trabalhei com a ONG, percebi a importância de abrir uma empresa. O aporte financeiro que veio do projeto SOS Racismo serviu de capital para abrir a clínica e, depois de aberta a empresa, procuramos logo trabalhar com convênios, deixando aos poucos de trabalhar com o projeto social. Os convênios trouxeram estabilidade para a atividade clínica e, desde então, o volume de atendimentos foi aumentando gradualmente.

Se fosse hoje, eu teria aprendido mais com a clínica onde trabalhei depois de formado. Com a maior brevidade, teria aprendido também como funcionam os convênios, pois, por mais que representem na maior parte das vezes uma dor de cabeça, são necessários para quem vive da psicologia clínica. Do ponto de vista profissional, não há dúvidas que os convênios são um caminho mais interessante se comparados ao trabalho social, sem desmerecer a enorme importância da prestação de serviços à comunidade.

Não se deve esperar que sejam firmados muitos convênios no primeiro ano de consultório. Por isso, não há saída senão trabalhar atendendo por uma valor mais baixo até que os contratos de credenciamento sejam ajustados. O psicólogo deve sempre ter em mente que essa é uma situação passageira, estipulando por base, no mínimo, a média dos honorários estabelecidos pelos planos de saúde. Além do mais, recomendo que o psicólogo invista durante o seu primeiro ano em formar uma rede de contatos profissionais, o chamado networking.