
Por sugestão da leitora Elaine, gostaria de conversar um pouco sobre a experiência do debute de um consultório de psicologia. O meu primeiro ano do consultório foi diferente do primeiro ano da clínica. Meu consultório não se tornou clínica porque foi ampliado, mas quando eu abri com a Christiane uma empresa.
Deixe-me contar inicialmente sobre o primeiro ano de consultório, que foi sofrido, pois eu havia saído de uma clínica conhecida em Brasília e não tinha uma fonte sólida de pacientes. Como eu administrava um trabalho social na outra clínica, continuei o trabalho no meu próprio consultório, com plena consciência de que aquela era uma solução provisória. Como a demanda de pacientes do projeto social aumentou rapidamente, precisei convocar outros psicólogos jovens para me ajudar nos atendimentos e assim trabalhei durante um ou dois anos.
Por sorte, uma amiga minha me indicou para trabalhar com uma ONG chamada CERNEGRO. Num primeiro momento, usei a rede de psicólogos do projeto social para o projeto SOS Racismo, da ONG, mas com o tempo percebi que o trabalho funcionaria melhor se fosse realizado em grupo. Naquela ocasião, a coordenadora da ONG já me pedia que eu abrisse uma empresa para prestar serviços na condição de Pessoa Jurídica. Quando renovei meu vínculo com a ONG, mudamos a forma de trabalho: passei a trabalhar com uma psicóloga, Christiane, e uma estagiária, Tatiana, alterando a forma de atendimento de individual para grupal. Posteriormente, foi integrada uma assistente social à equipe.
Durante o tempo em que trabalhei com a ONG, percebi a importância de abrir uma empresa. O aporte financeiro que veio do projeto SOS Racismo serviu de capital para abrir a clínica e, depois de aberta a empresa, procuramos logo trabalhar com convênios, deixando aos poucos de trabalhar com o projeto social. Os convênios trouxeram estabilidade para a atividade clínica e, desde então, o volume de atendimentos foi aumentando gradualmente.
Se fosse hoje, eu teria aprendido mais com a clínica onde trabalhei depois de formado. Com a maior brevidade, teria aprendido também como funcionam os convênios, pois, por mais que representem na maior parte das vezes uma dor de cabeça, são necessários para quem vive da psicologia clínica. Do ponto de vista profissional, não há dúvidas que os convênios são um caminho mais interessante se comparados ao trabalho social, sem desmerecer a enorme importância da prestação de serviços à comunidade.
Não se deve esperar que sejam firmados muitos convênios no primeiro ano de consultório. Por isso, não há saída senão trabalhar atendendo por uma valor mais baixo até que os contratos de credenciamento sejam ajustados. O psicólogo deve sempre ter em mente que essa é uma situação passageira, estipulando por base, no mínimo, a média dos honorários estabelecidos pelos planos de saúde. Além do mais, recomendo que o psicólogo invista durante o seu primeiro ano em formar uma rede de contatos profissionais, o chamado networking.