Prezada Coordenadora e Fiscal
MARCELA VALENTE RIBEIRO
Gostaria de encaminhar esta proposta à Plenária, que na verdade
constitui a continuidade do debate iniciado no Encontro de
Responsáveis Técnicos promovido pelo CRP-01. Como dito naquela
ocasião, observo que a discussão em torno do que o psicólogo pode ou
não fazer deve ser marcada por referências técnicas e concretas,
estabelecidas por entidades especializadas da Psicologia, a exemplo do
que ocorre em outras áreas da saúde, como é o caso da Medicina e da
Odontologia.
Da Medicina vem o melhor exemplo, pois os médicos adotam a
Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos
(CBHPM), uma tabela que relaciona os procedimentos médicos por
especialidade e de maneira hierarquizada, ou seja, estabelecendo
valores, com as devidas variações, de acordo com a complexidade dos
procedimentos.
Essa tabela não só contempla todos os procedimentos legais da Medicina
como estabelece referências claras na relação entre médicos e planos
de saúde. Outras áreas da saúde também já se encarregaram de
providenciar listas de procedimentos semelhantes, que só foram
possíveis com apoio técnico de entidades especializadas. Vale lembrar
que, na maioria das vezes, essas mesmas entidades também são
encarregadas de elaborar as provas de especialista.
Acredito que medidas como essa podem atender às várias solicitações
dos psicólogos, tanto no âmbito da formação de um rol de procedimentos
psicológicos como no da fixação de honorários. A tabela que consta no
site do Sistema Conselhos de forma alguma satisfaz as necessidades dos
psicólogos e deve ser formulada com a colaboração de especialistas. Se
o Sistema Conselhos conhecer melhor a CBHPM, perceberá que esse tipo
de trabalho é rigorosamente técnico e não deve ser delegado aos
sindicatos.
Entendo que o Sistema Conselhos precisa estreitar urgentemente a
relação entre as entidades de Psicologia de tal modo que esse tipo de
trabalho seja realizado. A elaboração da CBHPM demandou do CFM um
grande esforço para compor parcerias e, por fim, chancelar o resultado
desse trabalho em equipe. E se não houver vontade política da parte do
CFP, ficarei na expectativa de que o CRP-01 tome a iniciativa de fazer
algo nesse sentido, pois não tenho dúvida que estará fazendo muito
pela dura realidade dos psicólogos do Distrito Federal.
Agradeço antecipadamente a apreciação da proposta e aguardo uma
posição do CRP-01 sobre o tema.
Atenciosamente,
Vladimir Melo