Networking em psicologia não tem mágica. Da forma mais objetiva possível, pretendo contar um pouco mais da minha experiência profissional e relatar como estabeleci a minha rede de contatos.
Embora convênio tenha vários aspectos negativos, proporciona ao psicólogo contato com alguns profissionais da área de saúde. Em primeiro lugar, para se credenciar a um plano de saúde é preciso passar por uma vistoria, que consiste numa visita do psicólogo do plano à clínica. Quanto a isso, tenho que reconhecer: esse tipo de contato sempre nos rendeu boas indicações. A boa impressão do psicólogo encarregado da vistoria geralmente tem repercussão dentro do serviço de saúde do plano e, por isso, recebemos também indicações de outros profissionais, como psiquiatras.
A melhor oportunidade de networking é quando você precisa fazer alguma indicação. O que mais ocorre é de um paciente nos pedir indicação de psicólogo ou psiquiatra para um filho ou cônjuge, por exemplo. Para acertar no encaminhamento, procuro constantemente formar opinião sobre outros profissionais da saúde mental, além de saber se atendem convênios e quanto cobram pela consulta particular.
Quando necessário, entro em contato com algum psiquiatra para discutir a respeito de um determinado paciente. Isso costuma causar boa impressão nos médicos porque muitos psicólogos encaram psiquiatras como rivais e evitam qualquer espécie de relação com eles. Lamento apenas não dispor de mais tempo para trocar informações com psiquiatras e sei que eles enfrentam a mesma dificuldade. Tenho sempre o cuidado de encaminhar pacientes para médicos que apreciam o diálogo com psicólogos.
Quando um paciente recebe um bom encaminhamento, costuma retribuir rapidamente. Por exemplo, é comum quando um paciente seu solicita indicação de psicólogo para o filho e poucas semanas depois esse mesmo paciente indica seu nome para alguém conhecido. Nesse caso, também existem aqueles pacientes que querem retribuir pedindo ao psicólogo que atenda também o filho, mas precisamos dizer o que entendemos disso e explicar que o melhor para todos é o encaminhamento.
Certamente, é sempre bom ter um cartão à mão, mas o que quero mostrar aqui é que o psicólogo clínico dispõe de diversas oportunidades para formar uma rede de contatos. Infelizmente, às vezes as oportunidades são desperdiçadas pelo próprio psicólogo quando ele nutre rivalidade com colegas e/ou médicos. Na minha opinião, se isso for superado, o psicólogo terá condições de prestar bons encaminhamentos aos pacientes e perceberá que essa é a melhor maneira de fazer networking.